Quando o sofrimento não tem fim …

Atualmente vemos que nossos jovens estão perdendo a motivação para viver, tirando suas próprias vidas de forma lenta e impactante. Dados estatísticos comprovam o crescimento das taxas de suicídio entre os adolescentes, por diversos motivos. Nem todos as razões são divulgadas, porém existe uma que ganha a mídia nacional e internacional, é o suicídio provocado por Cyberbullying, a humilhação digital.

abandonoO CyberBullying pode ser executado de várias maneiras como enviar mensagens, roubar a senha e utilizar o perfil social, ou através de jogos virtuais. Enviar e-mails constrangedores sobre a vitima para várias pessoas ao mesmo tempo, torpedos com fotos e textos ameaçadores que ficam expostos para um público amplo e ilimitado, ajudando a violência se alastrar rapidamente.

O Cyber espaço é mágico e ilusório, porque as comunicações não são vividas no espaço físico real, porém os relacionamentos são semelhantes aos do mundo real, o contato com o outro se manifesta naturalmente dando a impressão de que a pessoa está ao seu lado. A agressão que se dá pelo meio virtual é, na verdade, uma ofensa real, que será presenciada por inúmeras pessoas. 

cyberbullying_by_cyberbubble99-d5fsyrv Aos pais compete o papel de observação quanto tempo seu filho utiliza a internet e qual a sua reação diante deste contato. É comum esconder a tela do computador quando um adulto se aproxima? Evitam ir à escola? Dormem demais? Ganho ou perda de apetite? Apresentam insônia, explosões de raiva ou crises de choro?

A dificuldade de identificar o agressor, faz com que a vítima se sinta acuada mesmo estando fora do ambiente escolar, antes as provocações ficavam restritas ao ambiente escolar, quando o aluno se retirava deste ambiente podia buscar apoio nos amigos verdadeiros e família. No cyberbullying esse constrangimento se torna permanente, faz com que o aluno não se sinta seguro em lugar algum e em nenhum momento.

O perfil do agressor difere do Bullying tradicional, ele não precisa ser forte, pertencer a um grupo, ou ter coragem de se manifestar em público, basta ter acesso a internet. É uma pessoa que não aprendeu a controlar seus impulsos agressivos, tem uma satisfação na reação da sua vítima. No período escolar pode apresentar déficit de atenção, falta de concentração e desmotivação para os estudos. O anonimato possibilitado pelo cyberbullying favorece a sua ação, muitas vezes, quando adulto, continua depreciando outros para chamar a atenção.

O agressor, assim como a vítima, tem dificuldade de sair de seu papel e retomar valores esquecidos ou formar novos”.

A vítima costuma ser tímida, e foge do padrão do restante da turma, seja pela aparência física, comportamento, condição social,  ou religião. Sua insegurança a torna um alvo mais fácil. O resultado destes relacionamentos conflituosos, submetidos por parte do agressor, associado as tendências pessoais, podem desencadear na vítima algumas patologias como: ataques de ansiedade, transtorno de pânico, depressão, anorexia, bulimia, fobia escolar, problemas de socialização e suicídio. O mais grave de todos os sintomas é quando a vítima aceita as agressões como verdade, ou escolhem outras pessoas mais indefesas para fazer o mesmo, tornando-se assim alvo e agressor ao mesmo tempo. Quando adultos podem apresentar um comportamento ansioso, depressivo ou violento, reproduzindo em seus relacionamentos aqueles vividos no ambiente escolar.

É comum os pais verem seus filhos como vítimas e não como agressores, mas é importante saber que ele podem assumir qualquer um dos dois papeis. O quadro clínico e mental desenvolvido por cada indivíduo está relacionado com a predisposição genética, fatores educacionais e culturais de cada um.

Não podemos deixar de considerar que sem o cyberbullying muitos adolescentes não adoeceriam, portanto compete aos pais em observar e procurar ajuda quando julgar necessário.

Quando o jovem tira sua própria vida, as pessoas ao redor pensam como isso foi acontecer? E o que poderia ter sido feito para impedir?

Sabe-se que por volta dos 10 e 12 anos, o jovem precisa aceitar sua autoimagem, aceitar seu corpo, seus defeitos, nesta fase várias transformações começam a surgir e aprender a lidar com elas, é um fator de prevenção. Se esse jovem se conhece e gosta de como é, consegue manifestar seus sentimentos e pensamentos de maneira equilibrada. Do contrário, pode sentir prazer em menosprezar o outro para se afirmar. Ou se tornar vítima dando razão ao seu agressor.

CASOS REAIS DE SUICÍDIO POR CYBER BULLYING

  • Morgan Taylor Meier, Missouri, cometeu suicídio por enforcamento em 2006, aos 13 anos de idade. Vitima de cyberbullying através da rede social myspace. A mãe de uma amiga criou uma página onde dizia ser um adolescente de 16 anos, colhia dados pessoais e espalhava na internet, várias pessoas contribuíram para difamar Megan. 
  • Ryan, Nova York, Sofreu bullying por apresentar dificuldade de aprendizagem aos 10 anos, se estendeu durante o período escolar, com 11 anos se envolveu numa briga para se defender e as agressões pararam neste período. Ryan se tornou amigo do agressor, nesta época contou segredos para seu amigo que começou a espalhar por mensagem que Ryan era homossexual. Ryan começou a passar mais tempo online, conheceu uma menina que fingia gostar dele para humilhar e dizer o quanto ele era perdedor, divulgava os conteúdos das conversas, na internet incluindo as declarações de amor de Ryan. Em 2003 quando John Halligan, pai de Ryan, estava em viagem de trabalho, e todas as pessoas da família ainda estavam dormindo, Ryan foi ao banheiro e se enforcou. “São garotas como você que fazem, sentir vontade de me matar”.
  • Rehtaeh Parsons, de Toronto, morreu por conta dos ferimentos sofridos, quando tentou tirar a própria vida. A adolescente de 17 anos se suicidou após ser estuprada e, posteriormente, humilhada por um grupo de adolescentes pela internet. A família de Parsons denunciou que a jovem foi estuprada quando tinha 15 anos por um grupo de quatro jovens. Poucos dias depois do ataque, alguém começou a distribuir pela internet uma foto do estupro entre seus amigos, o que a obrigou a mudar de colégio, entrando em um profunda depressão.
  • O caso de Amanda Todd foi especialmente estremecedor porque, um mês antes de seu suicídio, a jovem postou no YouTube um vídeo de 9 minutos intitulado “Minha história: luta, assédio, suicídio, prejuízo”, no qual, sem pronunciar uma só palavra, só mostrando frases em cartazes, ela descreveu sua angústia e pediu ajuda.

Estamos diante de um assunto sério, causador de muitos traumas para todos os envolvidos, o agressor, a vítima, o espectador, a família,  é preciso olhar com mais cuidado para os nossos adolescentes.

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