Filme: Juízo

Maria-Augusta-RamosÉtica, Moral, Senso, Consciência, Valores e Violência. Como estes termos se relacionam?

moral é a noção dos valores éticos, isto é, o conhecimento sobre o que fazer e o que não fazer. A consciência moral é o resultado da experiência, ou seja, requisitos ou mandatos da família, educação ou ambiente sócio-cultural em geral. A moralidade da criança se desenvolve de forma natural pela ação do educador e do ambiente. O que parece ser inato, na realidade, é o resultado da experiência sensorial e emocional do que é certo (bom) e o que é errado (mal). Fazer o correto (bem) geralmente é premiado e fazer o que é errado (mal) é punido. Toda sociedade é regida por regras e leis que determinam uma base moral, indicando aos indivíduos o que é permitido ou não. O juízo moral inicia quando usamos essa moralidade para avaliar as atitudes e consciência moral dos outros indivíduos. Essa base moral e o juízo é importante para se preservar a integridade da sociedade e manter leis que visem a preservação da vida e o desenvolvimento humano. “Juízo” é um bom filme para se discutir sobre esta moralidade e a construção da mesma. Afinal, o que aconteceu com a construção da moralidade dos jovens infratores?

Sobre a ética “precisamos lembrar: não existe ética individual. Ética é sempre de um grupo, de uma coletividade. Ética é o conjunto de valores e princípios que você e eu utilizamos em nossa conduta. Por isso, a ética é sempre de um grupo, de uma coletividade, e nosso sonho é uma ética universal, que todos homens e mulheres do planeta a tenham partilhada – não existe ainda, a não ser como horizonte” (Cortella, M. S. Não se desespere, pág. 51). A ética pressupõe a liberdade e a capacidade de decidir, de escolher e julgar. Um dilema ético, é quando tenho que escolher entre duas coisas que desejo, mas só uma delas é eticamente saudável. Todas as pessoas vivem dilemas éticos, isso testa e obriga o indivíduo a assumir uma posição transparente. Quando se fala em ética, a clássica frase de Chaves “foi sem querer querendo“, perde o sentido, afinal todos tem o poder de escolhas e o sem querer é muito querendo também.

Filme: Juízo

consciência é um termo empregado em psicologia e filosofia para designar, por um lado, o pensamento em si e a intuição que a mente tem de seus atos e seus estados, e, por outro, o conhecimento que o sujeito tem de si e de sua relação com o mundo. Por extensão, a consciência é também a propriedade que tem o espírito humano de emitir juízos espontâneos. (Elisabeth Roudinesco, Dicionário de psicanálise, pág. 130). Afinal, como se desenvolve a consciência dos jovens infratores? Como é a sua relação com o mundo?

“Juízo” é um filme que acompanha a trajetória de jovens com menos de 18 anos de idade diante da lei. A identificação de jovens infratores é vedada por lei, no filme eles são representados por jovens não-infratores que vivem situações similares. Todos os demais personagens são pessoas reais, filmadas durante as audiências na II Vara da Justiça do Rio de Janeiro e durante visitas ao Instituto Padre Severino, local de reclusão dos menores infratores.

Sem glamorizar as situações, o filme exibe de maneira simples, todo o aparato jurídico que envolve meninos e meninas infratores. Juízo, o filme, trás boas reflexões sobre 2015, ano que se discute a redução da maioridade penal. No mundo, cerca de 70% dos países têm 18 anos como idade mínima para responder judicialmente. A questão a ser levantada hoje, é a condição que leva jovens a entrar no mundo do crime, isso não é uma forma de buscar a justificação da infração, mas uma compreensão da criminalidade envolvendo menores. Para a partir dessa compreensão, criar medidas que visa a melhoria da sociedade como um todo, proteção e segurança para os cidadãos e medidas eficazes de desenvolvimento saudável para crianças e adolescentes. O filme mostra uma realidade onde os adolescentes não passam por medidas socioeducativas eficazes, alguns nãos sofrem punições por suas ações e todos voltam a condição inicial antecedente a infração. Um filme para assistir e refletir. Afinal, não temos a respostas para todas as perguntas, mas começar a discutir sobre o tema, já é um bom começo.

Escrito pela colaboradora do Blog: Tirza Balmant (psicóloga)

2 Comments

  1. Penso eu que tem que ter regras mais duras com jovens infractores que na primeira vez for incutido o que vez de errado acredito que não ira para o caminho errado mas vejo muito passar
    mão na cabeça inclusive as leis!

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    1. Obrigada por sua opinião Annie, sempre tão valiosa, verdade que as leis existem para ajudar na ordem, porém acredito também no poder da família em como educamos nossos filhos.

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