Bem me Quer, Mal me Quer – Filme


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A maioria dos filmes que abordam temas relacionados a transtornos mentais, parece ter um começo meio confuso e esse não foge a regra, o seu inicio é cansativo, mas se  conseguir fixar um pouco mais sua atenção, será apresentado um filme bastante interessante que aborda a síndrome de Clérambault ou Transtorno Erotomaníaco.

Segundo DSM IV(Transtorno delirante persistente, subtipo Erotomaníaco), a erotomania consiste numa ideia delirante, de ser amado por alguém de elevada condição social, o que explica o amor de Angelique por Loic, ela uma estudante e ele um famoso cardiologista, casado. A pessoa comunica esse amor por meio de mensagens cifradas, no caso ela deixa bilhetes sem assinatura, o que o faz pensar ser declarações de sua esposa.

O delírio Erotomaníaco pode surgir para satisfazer a procura por experiências sexuais, talvez essa explicação seja vista de forma inconsciente como um objeto transferencial de amor em relação ao pai ou mesmo a mãe, porém isso não observei no filme. Após repetidas rejeições, o paciente começa a retalhar o objeto de seu amor, vigiá-lo e procura manter conversas com interpretação delirante, no filme esse tema é bem apresentado, pois Angelique manda entregar constantemente presentes e bilhetes para o consultório, a fim de conquistar seu objeto de amor, envia uma cópia da chave de sua casa para que Loic possa visitá-la sempre que quiser, ela ignora o detalhe de que ele não tem a mínima noção de quem ela é, e aonde ela mora, esse ato resulta na separação do casal, tantas investidas faz com que sua esposa desconfie de que está sendo traída.

Essa patologia tem inicio de forma súbita, primeiro se apaixona, depois faz as investidas neste amor, essa parte é a mais interessante do filme, não vou dar Spoiler, mas quando assistirem poderão observar o momento em que ela se apaixona, assim fica fácil de compreender como essa doença é perigosa.

Tem ausência de alucinações ( a percepção real de um objeto inexistente), com delírios (é a convicção “pensamento” errônea não corrigível) persistentes e recorrentes, os delírios são apresentados a todo instante em seus diálogos com seus amigos, seus pensamentos estão voltados para esse amor que para ela é correspondido, através de um simples olhar ou uma carona, situações que fazem com que Loic se apresente como uma pessoa má que a maltrata por causa de sua esposa, é tão realista que seu amigo saí em sua defesa, briga com o cirurgião que confunde a história apresentando uma percepção errada dos fatos.

O Erotomaníaco  não responde satisfatoriamente ao tratamento medicamentoso ou psicológico, ficou internada por anos e saiu porque conseguiu manipular seus sintomas, no final do filme um breve resumo de sua patologia mostra que pessoas com este transtorno ficam internadas por 50 anos, ou seja nunca se recuperam. O indivíduo costuma descrever detalhadamente as evidências do amor correspondido, através de mensagens por meio de olhares, comunicação verbal ou não-verbal, gestos ou até mesmo através de telepatia, o filme se torna interessante porque é apresentado na visão do paciente. A Erotomania costuma persistir mesmo após as constantes rejeições por parte do objeto amado. Sua incidência é pouco divulgada na literatura. Sendo variável no quesito sexo, idade, poder socioeconômico e raça. Testes neurofisiológicos sugeriram que a Erotomania poderia estar associada a déficits na flexibilidade cognitiva. O conteúdo delirante é determinado pela cultura e experiências pessoais de cada individuo. O eletroconvulsoterapia pode ser indicada, conforme é apresentada no filme não de forma explicita, o que nos tranquiliza por ser uma cena muito triste de ser observada.

Uma pessoa que sofre de erotomania causa muito prejuízo a vida da vitima, psicológico e social, em virtude da constante perseguição que pode durar anos. Não vou relatar o quanto o amor de Angelique foi prejudicial a Loic, mas posso dizer que houve assassinato, tentativas de assassinatos e tentativa de suicídio, em nome deste amor

Alguns autores apontaram teorias a respeito da síndrome de Clérambault/Erotomania. Segal, por exemplo, observou que os pacientes costumam ter algumas características em comum. São pouco atraentes fisicamente, solitários, imaturos, limitados intelectualmente, socialmente inibidos, sexualmente pouco experientes, com empregos de baixo prestígio.

É um filme interessante, quem assistiu deixe seu comentário e para quem não assistiu abaixo vou colocar o link do filme.

Fonte: Calil, L.C., Terra, J.R. Revista de Psiquiatria do Rio Grande do Sul, Síndrome de Clérambault, Segundo relato, vol.1 Jan.2005.

Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (DSM-IV-TR). 4a ed. Porto Alegre: Artmed; 2003

6 Comments

  1. Seu comentário aparenta ser de tamanha excelência que nos leva a sentir vontade de assistir o filme, o que farei imediatamente. Vejo em post’s como o seu as vantagens da internet e da tão badalada ‘globalização’. Obrigada!

    Curtido por 1 pessoa

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