Outubro Rosa: Uma luta constante

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Escrito por: Rosana Angelo Ribeiro – Psicóloga Clínica

Todo câncer tem como característica crescimento rápido e desordenado de células que se multiplicam, são agressivas e incontroláveis, determinando a formação de tumores malignos (câncer) que podem afetar várias partes do corpo. O câncer de mama afeta as mamas (seios), é o tumor maligno mais comum entre as mulheres, que pode levar a morte.

Segundo o incra, entre 2014 e 2015 o Brasil terá 57.120 mil novos casos de tumor de mama.  Esse tipo de câncer é raro antes dos 35 anos, pode ocorrer também em homens em números bem menores. Quando diagnosticado precocemente ainda com 1cm as chances de cura chegam a 95%, neste estágio inicial é difícil perceber no autoexame, mas na mamografia se torna visível, que deve ser realizada uma vez por ano, portanto ir ao médico é um fator de prevenção muito importante.

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Com a evolução da medicina o autoexame se tornou secundário, a mamografia se torna prioritária por conseguir detectar ainda no inicio. Quando o caroço é perceptível ao toque não está mais em seu estágio inicial. No Brasil registra-se um aumento na mortalidade em decorrência do câncer de mama, em outros países este número vem diminuindo, isto se dá pela diferença no diagnóstico precoce.

O Outubro Rosa nasceu nos Estados Unidos, 1990 com a finalidade de aumentar a adesão ao controle do câncer de mama, passando a ser celebrada anualmente por vários países  com o objetivo de divulgar informações, tirar dúvidas e informar sobre os benefícios do diagnóstico precoce. O nome remete à cor do laço rosa que simboliza, mundialmente, a luta contra o câncer de mama e estimula a participação da população, empresas e entidades.

Não se sabe como foi que a cidade começou a ser iluminada de rosa, o primeiro monumento no Brasil foi o obelisco no Ibirapuera em 02 de outubro de 2002.

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Não existe uma causa especifica, diversos fatores estão relacionados ao câncer de mama, ter um ou dois fatores dos citados abaixo não significa que a pessoa terá a doença, mas aumenta sua probabilidade:

Fatores ambientais/ estilo de vida

  • Obesidade, principalmente após a menopausa;
  • Sedentarismo (não fazer exercícios);
  • Sobrepeso;
  • Consumo de bebida alcoólica;
  • Exposição frequente a radiações (Raios-X).

Fatores hormonais

  • Primeira menstruação, antes de 12 anos;
  • Não ter tido filhos;
  • Primeira gravidez após os 30 anos;
  • Não ter amamentado;
  • Parar de menstruar (menopausa) após os 55 anos;
  • Ter feito reposição hormonal pós-menopausa, principalmente por mais de cinco anos.

Fatores genéticos

• História familiar de câncer de mama e ovário, principalmente em parentes de primeiro grau antes dos 50 anos;

• Alteração genética;

Para diagnosticar o câncer de mama, deve ser realizada uma biópsia, analisada por um patologista com laudo médico para o diagnóstico de câncer.

Como prevenção, todas as mulheres acima de 40 anos devem realizar uma mamografia solicitada pelo médico uma vez por ano, se houver histórico familiar o ideal é que se inicie o processo aos 30 anos.

O IMPACTO EMOCIONAL FRENTE A DOENÇA

O avanço da tecnologia e os recursos da medicina não substituem a dor que é receber o diagnóstico de câncer, se iguala a receber a sentença de morte, é vivido pelo paciente e pela     família com ansiedade, angústia e sofrimento.

O símbolo da feminilidade, maternidade e sexualidade estão voltados para o seio, que no processo do tratamento, traz um abalo significativo para a vida da paciente. Um novo  ciclo de vida se inicia e a paciente vivência essa mudança nos diversos aspectos; no trabalho, lazer, nas relações familiares e sociais, essas mudanças são provocadas mais por questões psicológicas do que físicas. As modificações na estrutura familiar são realizadas de forma imposta pelo processo do adoecimento.

Pesquisas relatam que os maiores temores de uma pessoa diagnosticada com câncer de mama é a perda do controle sobre a vida, mudanças na autoimagem, medo da dependência, medo do abandono, raiva, isolamento, medo da progressão da doença. Ansiedade e depressão estão entre os problemas psicológicos presentes durante o diagnóstico ao término do tratamento.  Esses fatores são variáveis diante do histórico de vida e condições de enfrentamento de cada paciente.

Quando a mastectomia é realizada, a mulher traz consigo a representação de seu corpo vivida desde a infância, a elaboração frente a doença e a perda da mama é semelhante ao processo de elaboração do luto, necessitando do total apoio do seu companheiro para que possa superar esse período, uma das possíveis mudanças presentes na relação do casal é o afastamento, por sentir vergonha da mudança imposta ao seu corpo. Esse sentimento é detectado não somente nas mulheres tratadas com mastectomia quanto com as que realizam cirurgias menos radicais.

A psicologia oncológica 

Na década de 80, existia no Brasil trabalhos isolados de pesquisa sobre a assistência psicossocial a pacientes em hospitais e consultórios e formação de grupos para pacientes e ex pacientes de câncer. O INCA, órgão de referência nacional no tratamento dessa patologia, apenas em 1979 contratou o primeiro psicólogo.

Através da portaria 3.535 do Ministério da Saúde, publicada no D.O.U. de 14/10/98, tornou obrigatória a presença de profissionais especialistas em Psicologia Clínica como um dos critérios para cadastramento de Centros de Alta Complexidade em Oncologia (CACON) junto ao Sistema Único de Saúde (SUS). O psicólogo passa a atuar em todas as etapas do tratamento oncológico.

Ao psicólogo cabe compreender através da escuta ativa, esse período a partir da experiência do paciente, orientar e compreender o quanto ele sabe sobre sua doença, quanto mais informado, maior será a capacidade de enfrentar o processo do adoecer, ao psicólogo cabe também o atendimento aos familiares e incluir a família nesse processo se faz de grande importância, uma vez que esse apoio será benéfico para o paciente, ao acolher a família os sentimentos e experiências compartilhadas auxiliam desde o inicio até o final do tratamento, na recuperação do paciente. O psicólogo pode atender em instituições ou em consultório particular, saber de que se trata de um processo multidisciplinar, e estar em contato com esses profissionais se faz necessário para um atendimento significativo para o paciente.

Há mais ou menos 5 anos recebi a notícia de que uma amiga estava com câncer de mama, na época fiquei sem saber o que dizer e como ajudar, ela precisou “abandonar” muitas coisas, seu trabalho, seus estudos e se dedicou a lutar contra essa doença, hoje ela está bem e diz que uma das coisas que mais a ajudou foi o grupo de ajuda psicológica que o hospital disponibilizou e seu marido que esteve ao seu lado durante todo o processo. Hoje fala abertamente sobre sua história, e sua vida modificada frente a doença se estabeleceu de outra forma em outro contexto.   Relata sobre alguns benefícios que o governo disponibiliza para esses casos que nem todas as pessoas sabem, portanto deixo o link e espero poder ajudar algumas pessoas com essa informação. 

Direitos Sociais da pessoa com câncer

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Abaixo vídeo da campanha OUTUBRO ROSA

Fontes:
Revista Brasileira de Cancerologia 2004; “Atuação do psicólogo no câncer de mama”.
Sociedade Brasileira de Mastologia “Estatísticas sobre câncer de mama no Brasil”
Mulher consciente.com.br
Sociedade Brasileira de psico oncologia, AnoIV edição 3 Aspectos emocionais do câncer de mama,Soares, R.G.
http://www.incra.gov.br

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