O que podemos aprender com a morte?

 

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A morte de um ente querido vem seguida de muitos sentimentos, os mais comuns são a raiva, o desespero, o desamparo. Os primeiros dias são marcados por uma redução no ritmo de trabalho e um profundo vazio e silêncio. Os parentes se afastam para que a pessoa possa vivenciar e se organizar diante dessa nova realidade.

Ao contrário do que se pensa, ter alguém por perto que tenha vivido os últimos dias com o ente falecido, traz um certo conforto conversar sobre suas últimas experiências, suas manias, fatos pitorescos trazem um certo alívio para o coração.

Neste momento é comum as crianças ficarem um pouco de lado, sua concepção sobre a morte é bem diferente e ela precisa ser acolhida e ouvida.  AOS 3 anos ela sente a morte como uma separação e mutilação, o conceito de mutilação vem dos primeiros passos que ela começa a dar, andando de bicicleta a sua preocupação é com sua integridade física, este seria o conceito de mutilação “se machucar”. Dos três aos cinco anos a morte não é algo permanente, ela acredita que aquela pessoa pode voltar, como enterrar uma semente e esperar a flor que pode nascer deste plantio. Após os 05 anos, a morte é atribuída  a um fator externo como um esqueleto em forma humana que vem buscar as pessoas. Por volta dos 9 aos 10 anos a morte começa a ter uma visão biológica, como algo que faz parte da condição humana. Na adolescência com todas as mudanças que ele está passando, a chegada da morte de um dos pais é algo difícil para ele assimilar, o acolhimento do adolescente deve ser tão cuidadoso quanto possível, existem muitas crenças  que estão na cabeça  do adolescente, que serão exteriorizadas se houver um acolhimento adequado e um espaço sem julgamentos que ele possa falar o que sente em relação a este momento.

Neste espaço entre a morte e a vida é possível tirar alguns aprendizados,  cada pessoa retira das suas vivências aquilo que possa contribuir para que possa, seguir o seu caminho da melhor forma possível.

Vou pontuar aqui pelo menos sete desses aprendizados:

1) Quando a morte bate à nossa porta, aprendemos que não temos mesmo nenhum controle sobre a duração da nossa vida. Nenhum! Entendemos que somos mesmo pó e para o pó voltaremos sem uma hora ou dia marcados.

2) Quando a morte bate à nossa porta aprendemos que não temos força para lutar contra ela. Nessa hora não temos forças para reagir. Dependemos unicamente das forças que Deus nos dá para suportar esse momento. E por que é assim? Porque fomos feitos para a vida e não para a morte. Fomos originalmente feitos para a eternidade e não para uns poucos anos de existência.

3) Quando a morte bate à nossa porta sentimos muito claramente os sentimentos que nos unem às pessoas que nos cercam. Você percebe que amava muito mais do que imaginava.

4) Quando a morte bate à nossa porta pensamos intensamente no que deveríamos ter feito e falado e não fizemos nem falamos.

5) Quando a morte bate à nossa porta as coisas materiais perdem completamente o seu valor. Completamente.

6) Quando a morte bate à nossa porta normalmente não sabemos o que fazer com as crianças, como falar, o que fazer com elas nessa hora de dor e separação. Na verdade, perdemos boas oportunidades de conversar com elas sobre o fato mais certo da vida: a morte. Psicólogos afirmam que se não damos à criança a chance de falar, expressar sua curiosidade, estamos deixando-a só com seus receios e fantasias. Querer poupar as crianças desse momento não é o ideal.

7) Quando a morte bate à nossa porta temos que abraçar e verdadeiramente viver a nossa fé.

Não é fácil seguir adiante depois da morte de um ente querido. A dor diminui com o tempo e isso terá que ser aceito como um processo natural. É importante não esconder as emoções e não negar a realidade. Enfim, o certo é que refletir sobre a morte tem o seu lado positivo, e devemos fazer isto antes que ela aconteça.

 

Link do livro em PDF.

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Fonte: Ross, E.K, Sobre a morte e o morrer.  Martins Fontes, SP, 1996.

9 Comments

  1. perdi meu namorido vai fazer três meses a dor a solidão é algo inesplicavel.
    Depois de um casamento frustado,
    que com seu termino que me causou muita dor. jurei que jamais me entregaria a outro amor jurei que jamais me apaixonaria mas quando o conheçi descobri que tinhamos uma história de traições e amor frustado parecidas nos dois sofremos muito por amar a pessoa errada, trabalhavamos juntos demorou algum tempo para nós dois nos entregarmos completamente um ao outro enfim quando estávamos vivendo um amor tão esperado tão bonito verdadeiro estávamos tão felizes o que aconteçe ???? Seu coração para ele ele morre me deixa sozinha aqui. Como assim tinhamos tanto amor pra dar um ao outo tanta coisa pra viver juntos sonhamos planejamos tanta coisa até dos nossos netos ja falavamos ele falava que eu seria uma vovó coruja porque tenho um filho do meu ex marido ele tem tres filhos do casamento anterior tantos projetos que foram engavetados demorei tanto tempo para encontra-lo. Me pergunto porque eu ,porque ele ? tem tanta gente doente a anos sofrendo com dores terriveis pessoas drogadas que mais parecem zumbis ele era saudavel tinha tanta coisa pra fazer tinha filhos pra criar tinha eu para amar me pergunto o que fiz pra ser castigada com tanta dor se Deus saabe de todas as coisas porque trouxe ele pra mim para me tirar tão cedo me sinto perdida sozinha queria morrer também mas meu filho ainda precisa de mim ele só tem 12 anos perdi minha alegria meu sorriso o brilho dos meus olhos tudo se apagou. a morte me levou muito mais que ele levou também minha vontade de viver pior que não existe nada que eu possa fazer para mudar isso e me sinto impotente não pude salvar o meu amor não posso salvar a mim mesma pq eu voltei a ser feliz por causa dele mas agora ele não está mais aqui.
    odeio essa fragilidade que é a vida.

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    1. Adriana concordo com a fragilidade humana, em alguns momentos precisamos buscar por um profissional que nos acolha em nossas angústias, a psicologia não precisa ser utilizada apenas por aqueles que possuem um diagnóstico psiquiátrico, mas também por aqueles que querem falar de si, se organizarem diante de uma nova caminhada, existem possibilidades e você poderá encontrá-las, sua perda é recente com isso vem à tona todos os seus questionamentos sobre sua vida, alguns não existem repostas, se apegue ao seu filho, a sua família e amigos eles podem servir de apoio para suas dores. Agradeço por compartilhar seus sentimentos, tenho profundo respeito por eles.

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    1. Joanny sinto muito pela sua perda , entendo que seja um momento de introspecção, o luto é um processo único cada pessoa vive a sua maneira , porém quando estiver um pouco melhor procure por seus amigos ou familiares a companhia de pessoas que nos querem bem ajuda a acalmar o coração , fique com Deus .abçs

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