Saiba quais são os fatores que contribuem para o Transtorno Depressivo.

Por: Rosana Angelo Ribeiro – Psicóloga Clínica

DEPRESSÃO  é uma desordem psiquiátrica mais frequente do que se imagina, existem muitas mudanças físicas, cognitivas e psicológicas  que caracterizam esse transtorno,  alguns fatores podem contribuir como fator desencadeante, como por exemplo:

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PERDAS

Para explicar a relação das perdas com a depressão, é preciso abordar um pouco dessa visão através da teoria de Freud, que defendia as perdas como um fator importante para o transtorno depressivo, segundo suas pesquisas essa experiência de tristeza que sentimos quando uma pessoa amada morre se deve ao fato de experimentarmos sentimentos ambivalentes (Ambivalência é quando nutrimos sentimentos conflitantes/opostos em relação a uma pessoa ou coisa), como por exemplo amar muito aquela pessoa e ao mesmo tempo sentir raiva, por ter sido “deixada por ele (a)”, isso pode ser observado quando ouvimos as seguintes falas “ Por que você tinha que me deixar?” “Como pode me fazer isso?”

Por vezes essa raiva que sentimos por aquele que se foi, pode ser voltada para a própria pessoa, sentir raiva de si mesmo, incriminando-se por coisas que não são culpa sua, o que Freud chamava de raiva internalizada.

Na infância a maior perda que se pode ter é de um dos genitores, e todas as perdas posteriores podem reativar o sentimento de pesar anterior, o que pode tornar a pessoa mais suscetível a um quadro de depressão, em decorrência da perda atual.

A depressão pode estar associada a perdas, mas é importante observar que outros fatores podem estar associados, como por exemplo os níveis elevados de estresse.

ESTRESSE

Pesquisas apontam que o estresse é um dos fatores mais relevantes à depressão do que a própria perda de alguém querido.

Eventos estressantes como; perda de emprego, doença, rompimento no relacionamento, conflito interpessoal, insatisfação no trabalho … estão associados a depressão, quanto maior o nível de fatores estressantes maior será a probabilidade.

Um fator curioso seria de que maridos que são altamente críticos geram estresse familiar que contribuiu para depressão ou recaída após tratamento. Importante mencionar que as “brigas diárias”, podem ser um reflexo da depressão como também a sua causa.

Porém, nem todos os indivíduos que são levados a alto nível de estresse desenvolvem depressão, como também nem todos os indivíduos deprimidos foram expostos a estresse. Diferenças individuais influenciam para que o indivíduo se torne depressivo ou não.

MUDANÇAS SOCIAIS

Muito se pergunta porque a depressão tem crescido de forma rápida, alguns estudiosos respondem a essa pergunta como um fator social; analisando a dinâmica social de antigamente percebe-se que os serviços ofertados eram mais braçais do que intelectuais, o trabalho no campo, nas industrias, por exemplo, eram realizados por pessoas/trabalhadores, atualmente a maioria destes serviços são realizados por máquinas, verificaram que nas décadas de 50 à 70 a probabilidade de sofrer de depressão era menor, atribuem esses dados as mudanças tanto tecnológicas como de estilo de vida.

Atualmente nosso estilo de vida se modificou drasticamente, estamos na era digital, é inquestionável que antigamente nossos esforços físicos eram bem maiores, as comodidades que antes não desfrutávamos e hoje nos ajudam a economizar tempo (controle remoto, interruptores, laptops, celulares, forno de micro-ondas, tv ligada à internet), demonstra essa mudança de hábito.

As gerações anteriores que produziam mais esforços para conseguir as coisas eram mentalmente mais saudáveis, e o que será que perdemos com todas essas facilidades? Alguns esforços intensificam nosso funcionamento neural, causando uma sensação de bem estar, ou seja atinge nosso circuito de recompensa impulsionados pelo esforço. Nosso cérebro é programado para atingir o sistema de recompensa, quando produzimos esforço físico o suficiente para estimular.

No cérebro existe o núcleo accumbens do tamanho de uma ervilha conhecido como o centro do prazer ou de recompensas, seu papel determina como reagir a estímulos ambientais, ele recebe dados enviados por muitas áreas neurais, ele esta próximo do sistema motor do cérebro ou estriado que controla nossos movimentos e com o sistema límbido envolvidos no processamento de emoções e aprendizado, o accumbens é fundamental nas conecções entre sentimentos e ações.

Não queremos voltar no tempo e deixar de usar ferramentas que hoje são importantes para nosso cotidiano, mas é possível refletir em quantos esforços estamos economizando às vezes desnecessariamente.

Parece que quanto mais o circuito de recompensas é impulsionado pelo esforço, é ativado e mantido em ação, maior será o senso de bem estar psicológico.

A DEPRESSÃO SENDO EXPLICADA COM BASE COGNITIVA ” PENSAMENTOS NEGATIVOS”

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Focar seus pensamentos nos acontecimentos negativos da sua vida, podem conduzir para a depressão, porem existe a teoria de que os indivíduos deprimidos tendem a focalizar seus pensamentos nas suas falhas pessoais, em termos de processamento de informação os indivíduos usam a atenção seletiva, ou seja indivíduos depressivos recordam mais dos eventos negativos do que dos eventos positivos.

Agora que sabemos dessas recordações negativas, fica a pergunta: As recordações negativas elas são a causa da depressão ou são a consequência?

Uma pesquisa foi realizada e indivíduos que leram frases negativas relataram alguns sintomas

  1. relatam aumento nos níveis de depressão, ansiedade, e hostilidade
  2. tenderam mais a preferir atividades solitárias ou inativas.
  3. Desempenharam pior em um teste de inteligência.
  4. Escreveram mais devagar.
  5. Fizeram pausas com mais frequência em sua fala.
  6. Fizeram rabisco mais contraídos
  7. Alteraram seu comportamento alimentar.

A depressão observada neste caso, foi de nível baixo podendo ser superada rapidamente apenas executando atividades que causam prazer, ou seja não se compara com a depressão observada em casos clínicos, foi uma mudança observada durante o teste aplicado, mas imagine esses pensamentos sendo realizados diariamente e constantemente o quando ele não poderia modificar a nossa forma de ver o mundo, induzindo a uma depressão mais acentuada.

A DEPRESSÃO SENDO EXPLICADA COM BASE FISIOLÓGICA

A fisiologia explica a depressão como baixo nível de atividades neurológicas nas áreas do cérebro que são responsáveis pelo prazer, os neurotramissores que estão relacionados a depressão são a norepinefrina e a serotonina.

O baixo nível de norepinefrina e serotonina podem serem usados para explicar a redução no sono, apetite, sexo e atividade motora, frequententes associados a depressão, eles desempenham um papel importante no funcionamento do hipotálamo que controla o sono apetite, sexo e comportamento motor.

GENÉTICA

Os baixos níveis nos neurotransmissores é explicado através da herança genética, pode-se observar que indivíduos depressivos na sua árvore geneologica possuem parentes de primeiro grau que também sofrem de depressão (irmãos, pais ou filhos), a convivência com estas pessoas podem facilitar neste processo, mais do que a sobreposição dos genes.

É importante observar que indivíduos deprimidos não necessariamente precisam estar inseridos numa família de pessoas com depressão, a genética e a convivência somente, não explicam a origem da depressão.

A depressão vem sendo estudada sobre diversas vertentes, uma pessoa com esse transtorno apresenta particularidades que podem auxiliar no seu diagnóstico, porém a causa se por fatores ambientais, genéticos… ou qualquer outro fator, vai estar associado aquela pessoa única com suas características de vida, os dados fornecidos são um parâmetro para critério de informação, de compreensão, mas não de diagnóstico, a psicologia entende a individualidade de cada ser.

Fonte:

Holmes, D.S. Psicologia dos transtornos mentais, 2a.ed., Artmed,1997.568p.

Tavares, L.A.T. A depressão como mal-estar contemporâneo: medicalização e sistêmica do sujeito depressivo, 1a.ed. Editora Unesp, 2010. 176p.

Porto, J.A.D. Conceito e diagnóstico, Revista Brasileira de Psiquiatria. Vol.21, São Paulo, 1999

Furlan, A.C. Depressão, Arquivo Mundi, Maringá-PR. 2006, 31p.

Amen, D.G.. Transforme seu cérebro transforme sua vida. São Paulo-SP,Mercuryo. 2000. 321p.

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