Os antidepressivos tratam a dor depressão, mas não curam os sentimentos.

Escrito por: Rosana Angelo Ribeiro – Psicóloga Clínica

PSICOTERAPIA

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A psicologia é o último recurso que uma pessoa depressiva busca para o alívio do seu sofrimento, isso acontece devido a um conjunto de fatores, o principal fator seria pelo fato da população desconhecer as possibilidades com que a psicologia pode contribuir para sua melhora, outro fator seria por causa da cultura da medicalização que promete a cura, bem estar e felicidade. Em geral o médico ouve sobre a doença do paciente, porém não o escuta dentro de sua subjetividade.

A demanda do paciente ao psicólogo não está somente ligada a depressão em si, mas também aos efeitos do tratamento medicamentoso, na prática é possível observar que em alguns casos, os sentimentos do indivíduo como apatia, fadiga física e mental, pensamentos pessimistas e outros se intensificam mesmo sob o cuidado medicamentoso.

Os pacientes quando buscam por psicoterapia já passaram anteriormente por outros atendimentos, assim chegam ao consultório etiquetados pelo diagnóstico realizado, transferindo ao indivíduo uma alienação a respeito dele próprio, sabe sobre os sintomas e se informa sobre a doença diagnosticada, porém faltam lacunas a serem preenchidas que não estão disponíveis na literatura, são lacunas sobre seu histórico de vida, seus sentimentos etiquetados anteriormente pelo diagnóstico.

A psicoterapia permite que o paciente construa um sentido singular de sua condição, o indivíduo se depara com o não saber, ocasionado pelo vazio proposto pelo psicólogo, este profissional espera que o paciente possa dar sentido a este espaço vazio antes preenchido pelo diagnóstico.

Pesquisas realizadas chegaram a conclusão de que indivíduos que realizam psicoterapia tem menos índice de recaída do que indivíduos que não realizam, outro fator observado foi uma melhora nos relacionamentos interpessoais e sua adaptação social.

Cada ser é único e possuem inúmeras diferenças tanto verbal como cognitiva, essas diferenças podem influenciar o tipo de terapia apropriada para cada indivíduo. O tipo de depressão também é um fator importante na escolha do tratamento, por exemplo se a depressão for exógena   originária de fatores ambientais a terapia pode ser eficaz. Se a depressão é endógena originaria de causas fisiológicas, a terapia sozinha não será eficaz é preciso um tratamento farmacológico.

Psicoterapias são fundamentais não apenas como coadjuvante, mas em muitos casos como principal estratégia terapêutica.

PSICOTERAPIA ALIADA A MEDICAÇÃO

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Levando em consideração fatores individuais, podemos concluir que qualquer tratamento escolhido deve ser aderido pelo paciente, caso contrário o efeito desejado não surgirá, ou seja algumas pessoas se sentem melhor após um tempo de uso da medicação, o que implica fortemente para que algumas pessoas deixem de tomar a medicação, fazendo com que seu quadro depressivo regride.

A associação americana de psiquiatria (APA), recomenda dois tipos de tratamentos o medicamento antidepressivo, e a psicoterapia, em casos de depressão mais leve apenas a psicoterapia pode ser suficiente. Ambas são eficazes para alterar o processo químico do cérebro.

A medicação para os sintomas depressivos pode ser comparado ao antibiótico quando estamos com alguma infecção, mesmo após cessar a febre e o mal estar do processo infeccioso a medicação deve continuar até a data estipulada pelo médico para que os sintomas não retornem, assim também é com a medicação psiquiátrica mesmo a partir do momento em que o indivíduo se sinta bem como se tivesse curado, este processo se chama remissão, então mesmo após a remissão aconselha-se a medicação por mais seis ou nove meses, evitando assim retornar ao processo original.

Porém nada impede que esta pessoa tenha uma recaída, o que se chama de reincidência, para evitar o processo de reincidência alguns pacientes se submetem a um tratamento continuo de manutenção, em alguns casos esse tratamento continua apenas com psicoterapia.

A medicação alivia os sintomas com maior rapidez, mas a psicoterapia produz mais avanços na interação social e na qualidade dos relacionamentos, o tratamento combinado mantém seus benefícios de forma independente.

 

FONTE:

Holmes, D.S. Psicologia dos transtornos mentais, 2a.ed., Artmed,1997.568p.

Tavares, L.A.T. A depressão como mal-estar contemporâneo: medicalização e sistêmica do sujeito depressivo, 1a.ed. Editora Unesp, 2010. 176p.

Porto, J.A.D. Conceito e diagnóstico, Revista Brasileira de Psiquiatria. Vol.21, São Paulo, 1999

Furlan, A.C. Depressão, Arquivo Mundi, Maringá-PR. 2006, 31p.

 

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