Saiba a diferença entre depressão pós-parto e psicose pós-parto.

Escrito por: Rosana Angelo Ribeiro – Psicóloga Clínica

DEPRESSÃO PÓS-PARTO

A depressão pós parto surge nas primeiras semanas após o parto,  dura entre seis meses e um ano, algumas mulheres tentam esconder a sua depressão por se sentirem culpadas, pelo fato de sentirem tristeza num momento em que os sentimentos esperados deveriam ser de  felicidade.

Esse período de depressão leva a mãe a se preocupar tanto com a criança que não consegue tirar do pensamento, chega a não dormir temendo que a criança pare de respirar e morra repentinamente.

Alguns fatores são comuns logo após o nascimento; a mulher se torna vulnerável emocionalmente e alguns sentimentos são vistos num quadro de normalidade como por exemplo, um certo grau de ansiedade, irritabilidade, perda de apetite, distúrbio do sono, tendência ao choro, instabilidade emocional. Esses sentimentos são respostas ao grau de desconforto físico, estresse associado ao trabalho de parto, mudanças hormonais, efeitos colaterais dos medicamentos e o próprio ambiente hospitalar.

Essas mudanças são consideradas dentro de um quadro de normalidade nas primeiras 24 a 48 horas, após o nascimento, não devendo persistir nos dias seguintes, caso contrário um médico deve ser consultado para diagnosticar  se esses sintomas são de um quadro depressivo e começar um tratamento adequado.

Entre os sintomas físicos destacam-se a dor de cabeça, aperto no peito, taquicardia e dificuldade de respirar.

Especialistas que podem diagnosticar uma depressão pós-parto:

  1. Psicólogo
  2. Psiquiatra
  3. Endocrinologista
  4. Ginecologista e Obstetra

As pacientes são tratadas geralmente com medicação, porém as pacientes que optam também pelo tratamento psicológico, além da melhora física existe uma mudança em relação a conduta frente a criança.

Estudo mostram que dependendo do tempo da duração da depressão pós-parto, algumas consequências podem trazer ao bebê, como comportamentos atípicos, déficits emocionais, retardo motor ou retardo linguístico. Porém crianças que nascem numa família onde os membros ou cônjuge ajudam neste processo, possuem desenvolvimento cognitivo satisfatório.

Fatores de risco para depressão pós-parto

Não existe um fator determinante, não existe uma única causa, porém podemos observar em quadros de depressão pós-parto alguns fatores em comum:

Biológico; uma redução abrupta nos níveis hormonais.

Psicológicos e Sociais; parceiro e família que dão pouco apoio, gravidez não planejada, ser mãe solteira, nascimento prematuro, problemas de saúde com o bebê, dificuldades relacionadas ao retorno ao trabalho, condições socioeconômica baixa, história prévia de depressão ou transtorno psiquiátrico.

A PSICOSE NO PÓS-PARTO

Durante todas as fases da vida da mulher o pós-parto é o período de maior vulnerabilidade para transtornos psiquiátricos.

A psicose pós-parto é o transtorno mental mais grave que pode ocorrer no puerpério. Ela tem prevalência de 0,1% a 0,2% (sendo esse percentual maior em casos de mulheres com transtorno bipolar).

Geralmente os sintomas se instalam nos primeiros dias após o parto. O sintomas iniciais são de euforia, humor irritável, logorreia (falar compulsivamente), agitação e insônia. Surgem  ideias persecutórias, alucinações e comportamento desorganizado, desorientação, confusão mental e despersonalização (sensação de estar fora do próprio corpo).

O quadro psicótico no pós-parto é uma situação de risco para a ocorrência de infanticídio (atentado contra a vida do bebê). O infanticídio geralmente ocorre quando ideias delirantes envolvem o bebê, como ideias de que o bebê é defeituoso ou está morrendo, de que o bebê tem poderes especiais ou de que o bebê é um deus ou um demônio. Este quadro é considerado grave e geralmente necessita de internação. Em estado mais graves, as mães possuem o pensamento de matar seus bebês, ou de cometer suicídio.

Fatores de risco para psicose pós-parto:

Entre os fatores de risco estão as complicações obstétricas,  antecedentes pessoais ou familiares de transtornos psiquiátricos, sobretudo outros transtornos psicóticos.

É preciso considerar os fatores individuais, alguns estudos apontam os fatores com maiores índices, porém nada é determinante.

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