O idoso em psicoterapia

Escrito por: Rosana Angelo Ribeiro – Psicóloga Clínica

O IDOSO

As pessoas com 60 anos ou mais são consideradas idosas no Brasil, segundo o Estatuto do Idoso (Lei 10.741/2003). Estima-se que em 2030 o grupo de pessoas idosas será maior do que de criança e adolescentes de até 14 anos, e que em 2055 haverá mais idosos do que crianças e jovens com até 29 anos de idade.

Essa mudança está acontecendo devido a dois fatores, o primeiro pela diminuição da taxa de natalidade, os casais estão decidindo ter menos filhos. O segundo fator é a baixa mortalidade infantil. A associação destes dois fatores com as mudanças no campo social, educacional, cultural e da saúde, estão contribuindo na aceleração desta  mudança da faixa etária predominante no Brasil.

Por causa destas mudanças, saber sobre o processo do envelhecimento se tornou necessário,  tanto para a população  porque o conhecimento auxilia no processo de desmistificação de alguns conceitos como por exemplo;  a  fragilidade vinculada a velhice. Os profissionais da saúde também precisam se informar em relação ao processo do envelhecimento, para aprimorar e  para criar novos métodos de intervenção.

Podemos notar ainda um pouco de preconceito com o idoso. Quando suas necessidades recebem menos atenção, vai se percebendo a velhice como algo negativo e não como algo que faz parte do processo do desenvolvimento humano. Envelhecer de forma saudável, significa ter saúde, somados aos sentimentos de respeito, segurança e da oportunidade de participar na sociedade, de acordo com suas limitações.

POR QUE PARA ALGUMAS FAMÍLIAS É TÃO DIFICIL CUIDAR DO SEU IDOSO?

Quando o idoso está fragilizado e precisa de cuidados da família, é natural que está situação leve os envolvidos  ao confronto com questões sensíveis do relacionamento, que estavam adiando a algum tempo, como os ressentimentos que surgiram entre pais e filhos, rivalidade entre os irmãos, o sentimento de culpa, a raiva os medos, são sentimentos e situações que vêm a tona neste momento de cuidado maior com o idoso e com sua saúde.

Os familiares precisam tornar esse momento mais leve, se unindo fazendo revezamentos e parcerias com amigos, serviços públicos e privados. É também o momento de se aproximar do pai ou da mãe, descobrir formas de perdoar e ser perdoado.

O cuidar exige algumas reflexões, como por exemplo privar pelo bem estar emocional deste idoso, melhorando suas condições para que ele possa se recuperar o mais rápido que possível.

Existe a cultura de que o idoso vai se tornando criança e que os filhos se tornam pais dos seus pais. Isso não é verdade, não importa a fragilidade do seu idoso, ele sempre será seu pai, sua mãe e você sempre será filho, dar ordens, infatilizá-lo, tomar decisões sem o seu consentimento, retirar o direito do idoso de saber o diagnóstico e possíveis complicações relacionados a sua saúde, não deixar que ele questione sobre os cuidados com sua saúde, todo esse comportamento por parte do cuidador, leva esse idoso a situações vexatórias e humilhantes ou seja não podemos retirar o seu papel social dentro da família, o papel que exige respeito, cuidado e muito amor.

O PROCESSO TERAPÊUTICO PARA O IDOSO

O processo de envelhecimento é composto por inúmeras transformações no campo biológico, psicológico e social, as vivências da pessoa idosa é caracterizada por muitas perdas; perda do contato com os amigos, perdas ocasionadas pela saúde, perdas pela retirada do campo de trabalho, perdas por morte  do parceiro (a) ou de familiares e amigos próximos.

Neste processo de mudança, muitas vezes existe a banalização destas perdas sofridas pelo idoso.  Podem surgir sentimentos como a solidão, a rejeição, a incapacidade, associados a outros fatores que podem levar esse idoso a depressão, ou doenças psicossomáticas.

Essas perdas e os sentimentos que surgem destas perdas, são chamados de eventos estressores, que podem atuar sobre o idoso de forma negativa, afetando seu papel social, seja de pai/mãe ou esposa, por causa dos sentimentos de falta de controle no exercício destes mesmos papeis, existe uma confusão mental em relação a quem, ele é, e como agir.

A psicoterapia é uma forma de ajustar esses papeis, trazendo vários benefícios.  A psicologia precisa ser adicionada aos cuidados que o idoso deve ter com sua saúde.

A psicologia pode surgir como uma conduta preventiva, favorecendo o presente e um futuro mais saudável, ajudando o idoso a compreender alguns aspectos sobre o processo de envelhecimento.

Devido a perspectiva de vida do idoso,  existe um seleção nas relações afetivas. As relações sociais sendo mais seletivas/RESTRITAS, permanece a ideia de que uma rede de apoio social é necessária,  e traz alguns beneficios:

Troca de apoio emocional e de ajuda material;

 Manutenção e afirmação da  sua identidade social;

 Estabelecimento de novas relações sociais;

Reforço na crença das pessoas de que são cuidadas e amadas;

Possibilidade de criar oportunidades para que as pessoas desenvolvam estratégias de comparação de suas experiências e realizações com as de outras pessoas (mecanismos de comparação social).

Estas estratégias de comparação social ajudam na manutenção de uma auto-imagem positiva, bem como da autoestima. Por essa razão, são muito importantes na velhice, principalmente quando é necessário que o idoso se adapte a perdas físicas e sociais (Neri, 2005).

Na psicoterapia uma revisão da vida, uma avaliação de si mesmo e de sua própria existência, é um instrumento importante para estabelecer um equilíbrio psicológico na meia idade. Através do autoconhecimento, surge a auto aceitação, reconstruindo o significado das experiências passadas e a construção de novos significados das experiências e sentimentos pessoais.

A psicóloga (o) é para o idoso alguem que ele possa confiar, sem julgamentos sobre seus sentimentos e pensamentos. O sigilo é algo muito importante neste processo para que se possa criar um vinculo entre terapeuta e o idoso que procura por terapia, a familia somente será chamada para a sessão quando o profissional julgar necessário ou quando solicitado pelo proprio idoso, porém isso nunca acontecerá sem que seja permitido, e conversado antes no processo terapêutico.

O idoso que DECIDE fazer terapia e se entrega para este processo, tem uma mudança significativa na sua qualidade de vida, tanto familiar, pessoal e social.

 

Fontes:

Doll, J.; Ramos, A. C.; Stumpf B., Caroline: Apresentação Educação e Envelhecimento
 Educação & Realidade, vol. 40, núm. 1, 2015. Universidade Federal do Rio Grande do Sul
 Porto Alegre,

Rocha, A.I.; Braga L.A.V. A terapia comunitária como um novo instrument de cuidado para saude mental do idoso. Revista Brasileira de Enfermagem, Rebem. Brasilia, 2009.

Couto, M.C.; Prati, L.E. Terapia familiar sistêmica e idosos: contribuições e desafios, Revista de Psicologia Clínica. Vol.20 n. 1, 2008

Gobbi, F.S.S.; Corazza D.I.; Depressão no idoso: Diagnóstico, tratamento e benefícios da atividade física. Universidade Estadual Paulista – UNESP Rio Claro, SP, Brasil, 2002

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