Os estágios emocionais causados pela morte iminente.

Quando uma pessoa adoece, a família e a equipe medica tem a impressão de que aquela pessoa fragilizada, possui pouca condição de responder sobre o tratamento que será realizado, mas é  preciso ter em mente que o doente tem sentimentos, desejos, opiniões e acima de tudo o direito de ser ouvido.

Uma psiquiatra impaciente com o tratamento fornecido para pessoas cuja morte é iminente, realizou uma pesquisa entre 1969 e 1970. Em suas pesquisas constatou que alguns pacientes nem sabiam de sua condição em relação a sua doença oficialmente, porém tinham o sentimento de que a morte lhe era próxima.

Depois de falar com 500 pacientes de morte incurável chegou a conclusão de que neste processo de conciliação entre a vida e a morte existem algumas etapas, primeiramente foi traçada uma ordem cronológica que serve de parâmetro para estudos e compreensão de como os sentimentos são confusos e incompreensíveis para a pessoa que esta vivenciando este processo.

O estudo acerca do ser humano, traz o conhecimento de que somos seres individuais e temos vários fatores que contribuem para que nos distanciamos um dos outros em relação ao processo de cura e reação emocional no enfrentamento de uma doença incurável, podemos citar alguns como; social, biológico, experiência de vida, núcleo familiar, e tantos outros grupos aos quais pertencemos ao longo de nossa vida, todos eles contribuem para que nossos sentimentos e emoções sejam uma experiência única, então a sequência estabelecida inicialmente por Elizabeth Kubler-Ross nos serve de parâmetro não como verdade única, eles podem se alternar ou serem vivenciados todos aos mesmo tempo.

1a. Fase NEGAÇÃO

Não importa o estágio que o paciente vai receber a noticia acerca da gravidade de sua doença, seja ela na fase inicial do tratamento, no ato da consulta, ou no fim da doença, a maioria reage com negatividade, desacreditando acerca da noticia recebida, frases como “não, eu ? não pode ser”, ou pacientes que procuram por outros médicos com o pensamento imaginário de que os exames foram trocados, ou duvidam da capacidade do medico em diagnosticar.

Esse processo de negação, pode ser considerado saudável, essa reação psíquica funciona como um parachoque para noticias inesperadas. A medida que o paciente vai se recuperando do choque, medidas alternativas são consideradas. Este processo de negação não perpetua por muito tempo, a pessoa para a considerar conversar abertamente sobre as possibilidades de tratamento ou não e sobre as próximas etapas a serem superadas.

2a. Fase RAIVA

Quando o estágio da negação vai se dissipando, dá-se inicio a outra fase, a raiva, a revolta e o ressentimento, neste momento surgem comparações “Porque não foi ele?”, geralmente este tipo de comentário é atribuído a pessoa que, neste julgamento momentâneo, decide que aquela pessoa deveria morrer antes de você.

Segundo a equipe medica, este estágio é o mais complicado por que esta raiva internalizada pode ser direcionada para várias pessoas. Quando direcionada a família, a mesma fica sem saber como agir, no momento das visitas são recebidos com pouco entusiasmo. Quando direcionado a equipe medica, pode ser de varias maneiras como por exemplo; reclamar do atendimento, dos remédios, das roupas de cama, de um profissional especifico, solicitam o atendimento medico com mais frequência.

Aquele paciente que for ouvido e respeitado, logo deixara de fazer exigências irracionais.

3o. Fase : Barganha

Aprendemos a barganhar desde criança, primeiro a criança tenta conseguir as coisas no grito com raiva, mas logo percebe que não terá um bom resultado dessa maneira, então começa a negociar com mais calma.

É desta forma que negociamos também pela vida, primeiro começa por si mesmo, dizendo que será uma pessoa melhor se sair daquela situação, depois negocia com Deus “Vou ser uma pessoa melhor, serei mais gentil e simpático com as pessoas, irei ter uma vida saudável.”

4a. Fase : Depressão

Neste período o paciente se recolhe dentro de seu mundo interno, faz uma revisão da sua vida, mostra-se quieto e pensativo, se prepara para a perda que virá. Esta fase é uma preparação para o estado de aceitação.

5a. Fase: Aceitação

Nesta fase, espera-se pela evolução natural da doença. Poderá ter alguma esperança de sobreviver, porem isso não causa angústia e sim paz. Procura organizar algumas coisas pendentes, faz despedidas e organiza sua partida.

Fonte: KÜBLER-ROSS, Elisabeth. Sobre a Morte e o Morrer. São Paulo: Martins Fontes, 1998, 296p

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